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O Ano da Morte de Ricardo Reis Um Tempo M Ltiplo Labir Ntico As Hist Rias Das Sociedades Humanas Ricardo Reis Chega A Lisboa Em Finais De Dezembro De Fica At Setembro De Uma Personagem Vinda De Uma Outra Fic O, A Da Heteron Mia De Fernando Pessoa E Um Movimento Inverso, Logo A Come Ar Aqui Onde O Mar Se Acaba E A Terra Principia O Virar Ao Contr Rio O Verso De Cam Es Onde A Terra Acaba E O Mar Come A Em Cam Es, O Movimento Da Terra Para O Mar No Livro De Saramago Temos Ricardo Reis A Regressar A Portugal Por Mar Substitu Do O Movimento Pico Da Partida Mais Uma Vez, A Hist Ria Na Escrita De Saramago E As Rela Es Entre A Vida E A Morte Ricardo Reis Chega A Lisboa Em Finais De Dezembro E Fernando Pessoa Morreu A De Novembro Ricardo Reis Visita O Ao Cemit Rio Um Tempo Complexo O Fascismo Consolida Se Em Portugal Di Rio De Not Cias, De Outubro De Este foi o oitavo livro de Saramago que li, comparativamente talvez a sua melhor obra liter ria, n o fazendo isso deste o seu melhor livro A escrita, a investiga o, a estrutura e a intertextualidade fazem deste trabalho uma obra de grande valor no dom nio da arte das letras, contudo hist ria falta enredo e essencialmente conflito, o que torna a sua leitura um tanto espessa, por vezes penosa at , para o leitor Ler com formata o, links e imagens no VIhttps virtual illusion.blogspot.pt Este foi o oitavo livro de Saramago que li, comparativamente talvez a sua melhor obra liter ria, n o fazendo isso deste o seu melhor livro A escrita, a investiga o, a estrutura e a intertextualidade fazem deste trabalho uma obra de grande valor no dom nio da arte das letras, contudo hist ria falta enredo e essencialmente conflito, o que torna a sua leitura um tanto espessa, por vezes penosa at , para o leitor Ler com formata o, links e imagens no VIhttps virtual illusion.blogspot.pt O Ano da Morte de Ricardo Reis apenas o quinto romance do autor, sendo precedido em dois anos pelo n o menos relevante Memorial do Convento 1982 , e claro suportado por toda uma experi ncia acumulada por Saramago nos seus, at publica o do texto, 62 anos Visto deste modo, espanta menos a complexidade apresentada, ainda que o que aqui temos n o esteja ao alcance de qualquer escritor Neste sentido, para se poder verdadeiramente apreciar a obra necess rio realizar algum esfor o de an lise e estudo, para o que tentarei apontar aqui algumas linhas que facilitem essa an lise e entrada no texto.Primeiramente, e talvez o mais sobejamente conhecido, cabe identificar quem , ou foi, Ricardo Reis Um dos quatro mais reconhecidos heter nimos de Fernando Pessoa, com uma faceta marcada pela poesia cl ssica da Roma Antiga, nomeadamente Hor cio 65 a.c 8 a.c , da que o estilo de Reis seguisse de perto as estruturas das Odes, com uma queda para os temas amorosos Saramago escolheu o por gosto pessoal, mas em especial por ter verificado que Reis era o nico dos quatro que Pessoa n o tinha morto, tendo resolvido se a terminar o trabalho iniciado por Pessoa.Como nenhum dos heter nimos de Pessoa era totalmente aut nomo de si, Saramago opta por construir uma escrita que apesar de suportada em alguns temas de Reis, segue mais de perto o estilo geral de Pessoa Basta ler algumas passagens da obra, para se perceber que sendo Saramago quem escreve, parece ser Pessoa quem dita, e desde logo aqui que a obra come a a ganhar a sua relev ncia, dando conta da capacidade de Saramago para incorporar e elaborar diferentes estil sticas Ao mesmo tempo que esta fus o entre Saramago e Pessoa , talvez, do ponto de vista do prazer da leitura, o que de melhor a obra tem para nos dar Vivem em n s in meros, se penso ou sinto, ignoro quem que pensa ou sente, sou somente o lugar onde se pensa e sente, e, n o acabando aqui, como se acabasse, uma vez que para al m de pensar e sentir n o h mais nada Est s s , ningu m o sabe, cale e finge, murmurou estas palavras em outro tempo escritas, e desprezou as por n o exprimirem a solid o, s o diz la, tamb m ao sil ncio e fingimento, por n o serem capazes de mais que dizer, porque elas n o s o, as palavras, aquilo que declaram, estar s , caro senhor, muito mais que conseguir diz lo e t lo dito N o Ricardo Reis quem pensa estes pensamentos nem um daqueles in meros que dentro de si moram, talvez o pr prio pensamento que se vai pensando, ou apenas pensando, enquanto ele assiste, surpreendido, ao desenrolar de um fio que o leva por caminhos e corredores ignotos Saramago, Jos O Ano da Morte de Ricardo Reis 1984Em termos da narra o, apesar de termos apenas um narrador, Reis, ele n o apenas ele, ou seja n o temos poesia na forma de odes, como nunca o poderia ser sendo heter nimo de Pessoa, que enquanto tal nos vai tocando com as suas preocupa es mais profundas sobre o devir, mas tamb m n o apenas Pessoa, sendo Saramago quem romanceia, desde logo por toda a acidez pol tica que se vai desvelando ao longo da obra, assim como pela sexualidade que emerge, estranha a Reis e Pessoa Ou seja, ler este romance viver o mundo simultaneamente pela experi ncia de tr s distintas personalidades.Refletindo agora, n o sei at que ponto a complexidade impl cita neste narrador n o ter servido de motiva o a Saramago para aplanar o enredo, e assim garantir tempo, mas acima de tudo espa o para o acesso a cada uma das tr s experi ncias nele presentes O que ajuda a compreender toda a relev ncia, detalhe e investiga o sobre a geografia de Lisboa apresentada na obra por Saramago, nomeadamente quando se representa uma Lisboa de 1935, a partir de linhas escritas quase 50 anos depois Este trabalho t o minucioso e relevante, que a Porto Editora se prepara, pelas m os de Ricardo Cruz, para lan ar um livro sobre os espa os do livro em 2017, contrastados com os dos anos 1930 imagem Saldanha, Lisboa F Cunha, c 1930 O ano de 1935 n o fruto do acaso, o ano da morte de Pessoa, como tal a que Saramago resolve voltar na sua viagem no tempo E se Reis estava no Brasil exilado, a Lisboa que resolve voltar para saber mais sobre a morte de Pessoa E se Saramago apresenta uma Lisboa de 1935 t o detalhada, n o faz menos pela Hist ria, tanto nacional como internacional Relembrar que o livro foi escrito apenas dez anos ap s a nossa revolu o de 1974, vive se ainda com o sentir muito colado a um ditador que marcou a Hist ria do pa s por mais de 40 anos, e chegou ao poder apenas 3 anos antes de Pessoa se despedir Por outro lado a Europa vive tempos muito atribulados, com Mussolini em It lia, Hitler na Alemanha, e Espanha em plena guerra civil.Mais uma vez refletindo, n o deixa de ser algo exc ntrico a contundente cr tica de Saramago ao nacionalismo do Estado Novo, sua nsia por estimular os valores nacionais, relembrando o pr mio de Ferro a Pessoa pelo poema Mensagem ou a refer ncia ao Dia da Ra a , e no entanto todo este O Ano da Morte de Ricardo Reis ser um aut ntico hino s letras nacionais Se o espa o Lisboa, Saramago usa o para nos conduzir, pela m o de Reis, at est tua de Cam es, mantendo o poeta presente ao longo de quase toda a narrativa, n o se ficando por a , levando nos tamb m at E a e ao Adamastor Assim se Saramago nos obriga a respirar as letras nacionais, ler esta obra hoje, depois de tudo o que alcan ou como escritor, leva me a interrogar sobre o que mais se poderia pedir a uma obra de enaltecimento do nosso pa s Teria Saramago consci ncia de tal Mesmo no campo da intertextualidade parece haver uma certa fixa o, j que se a grande extens o das cita es e refer ncias se fazem para com Reis, Pessoa e Cam es, ou ainda E a, o facto de ser ir buscar Jorge Lu s Borges para autor do livro que acompanha Reis durante a sua estadia em Portugal, n o inocente Borges foi uma das v rias mentes brilhantes que proveio de fam lias judias expulsas de Portugal no s culo XVIII.No campo das personagens, Saramago junta a Reis duas mulheres, L dia e Marcenda L dia assume o primeiro plano, apesar de sempre atirada para um papel secund rio, mas o que ainda mais interessante o facto de L dia ser o principal amor das Odes de Ricardo Reis, tendo Pessoa ido busc la s Odes de Hor cio, e n o foi o nico Contudo como diz Ant nio Manuel Ferreira, ao contr rio de outras personagens hist ricas ou ficcionais como Adriano, Efig nia, Ant gona, Cassandra, Ganimedes, Ant noo, ou Of lia L dia algu m n o s praticamente desconhecida, como n o det m especificidade, e assim talvez se perceba melhor o modo como Saramago a trata, secundarizando a Em certa medida, L dia lembra Of lia Queiroz, a nica namorada conhecida de Pessoa, que tendo o sido, foi o quase sem o ser, e talvez seja mesmo este ponto que justifica a op o de Saramago Vem sentar te comigo, L dia, beira do rio.Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamosQue a vida passa, e n o estamos de m os enla adas Enlacemos as m os Pessoa, Fernando Poesia Completa de Ricardo Reis 12 6 1914O enredo acaba sendo o parente mais pobre de toda a obra Saramago parte com uma excelente premissa, como teria morrido Reis se Pessoa tivesse tido tempo para o matar Contudo, e apesar de apimentado com um tri ngulo amoroso, apesar da presen a fant stica de Pessoa fantasma, que visita Reis nos nove meses ap s a sua morte, o enredo quase inexistente Reis limita se a chegar a Lisboa e a nela deixar se viver, segue um dia para F tima, que Saramago aproveita para dissertar sobre a religi o, mas de resto n o arreda p , nem do espa o, nem da pessoa que certo que o niilismo de Reis e Pessoa nunca se dariam muito facilmente aos artif cios romanescos, em especial o conflito, que serve de alavanca progress o, evolu o e transforma o, mas Saramago soube dar a volta a tantas outras componentes, n o ficando claro porque aqui n o o fez N o uma incapacidade de Saramago, basta atentar na obra anterior Memorial , no entanto temos de admitir que uma forma de enredo que apesar de funcionar em pequenos poemas, perde em fluidez no modo romance, tornando a leitura bastante lenta e dif cil Nada fica de nada Nada somos.Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamosDa irrespir vel treva que nos pese Da h mida terra imposta,Cad veres adiados que procriam.Leis feitas, est tuas vistas, odes findas Tudo tem cova sua Se n s, carnesA que um ntimo sol d sangue, temos Poente, porque n o elas Somos contos contando contos, nada Pessoa, Fernando Poesia Completa de Ricardo Reis 28 9 1932Tendo em conta a dificuldade de leitura, sou obrigado a questionar as raz es que levaram o Minist rio da Educa o a tornar obrigat ria a leitura desta obra no 12 ano nos anos lectivos de 2017 18 e 2018 19, sendo depois destes permitida a opcionalidade com Memorial do Convento Como fica claro deste texto, considero as duas obras do melhor que Saramago nos deu, mas tendo em conta a dificuldade de leitura apresentada por Ricardo Reis n o consigo compreender a obrigatoriedade tendo em conta a idade dos leitores N o assim que garantimos uma motiva o para a leitura nestas camadas.Para fechar, deixo vos com a m xima de Saramago, em entrevista, a prop sito deste livro Neste livro nada verdade e nada mentira.Texto publicado no VI em N o sei se esta a hist ria de Ricardo Reis, ou se Saramago o usou como pretexto para dar a conhecer o mundo, particularmente a Europa, no ano de 1936.Em qualquer dos casos, Ricardo Reis volta a Portugal, depois do ex lio no Brasil, quando tem conhecimento da morte de Fernando Pessoa.Desembarca numa Lisboa sombria sombria pelo tempo chuvoso e pelo clima pol tico e social que se vive no pa s.Numa narrativa onde a melancolia d m os beleza, o autor disseca a realidade crua de uma das piores fa N o sei se esta a hist ria de Ricardo Reis, ou se Saramago o usou como pretexto para dar a conhecer o mundo, particularmente a Europa, no ano de 1936.Em qualquer dos casos, Ricardo Reis volta a Portugal, depois do ex lio no Brasil, quando tem conhecimento da morte de Fernando Pessoa.Desembarca numa Lisboa sombria sombria pelo tempo chuvoso e pelo clima pol tico e social que se vive no pa s.Numa narrativa onde a melancolia d m os beleza, o autor disseca a realidade crua de uma das piores fases deste pa s uma popula o esmagada sob um regime ditatorial, sem justi a, sem esperan a, a depositar a ltima f de salva o nos hipot ticos milagres de F tima.O futuro incerto, sobretudo com a Europa unida num abra o fascista que abarca a Alemanha de Hitler, a It lia de Mussolini, a Espanha de Franco, e Portugal que se ajoelha perante o salvador da P tria, Salazar, louvado e temido na mesma medida.Perante este cen rio, Ricardo Reis, na sua costumada pasmaceira de viver sem nada ambicionar, conformado com a efemeridade, tendo a morte como nica certeza, vai tomando conta do estado da na o, sobretudo pelos jornais Mero espectador, o seu senso cr tico nulo e Saramago serve se dele para expor a sua cr tica pessoal com a ironia e sarcasmo habituais.Mal Ricardo Reis p s os p s em terra come ou a receber visitas se Fernando Pessoa, que vem do mundo dos mortos para encontros onde discutem a vida, o mundo sua volta, os as e a conduta do poeta Foi o lado irreal da hist ria, e onde a fic o e a realidade coexistiram de uma forma fascinante.A mulher forte desta obra L dia criada no hotel onde o poeta se hospedou, come a pouco tempo depois a fazer lhe visitas noturnas Mulher do povo, inculta, pouco espera da vida mas ciente da realidade e destemida.Ricardo Reis faz lhe um filho que n o pretende reconhecer e L dia nada exige, aceita o seu destino Ela que era a sua liga o ao quotidiano, vai ficando mais independente, vai se afastando, e ele vai caindo no marasmo Ricardo Reis desiste de viver L dia enfrenta a vida carregando no ventre a esperan a de um melhor futuro.Outro dos pontos fortes deste livro o roteiro lisboeta percorrido por Ricardo Reis Muitos o fazem e eu tamb m o fiz Foram tr s dias a subir e descer ruas, ao segundo, p s e pernas j pediam clem ncia, ao terceiro parecia uma aleijadinha Mas foi inesquec vel Quer pelo valor indesment vel da obra, quer pelas recorda es da fant stica maratona pedestre, este um dos livros especiais que s a dem ncia poder apagar da minha mem ria Vou tentar descrever o que senti durante a leitura deste livro maravilhoso de Jos Saramago O Ano da Morte de Ricardo Reis absolutamente fant stico Fez me amar mais Lisboa, as pessoas e a vida O escritor conseguiu surpreender me ao longo da leitura e viver algumas semanas no ambiente caracter stico do s culo XIX A mentalidade do povo portugu s pouco mudou Ricardo Reis regressa do Brasil depois de estar dezasseis anos longe do seu pa s O estranhamento inicial e a procura de um lugar para Vou tentar descrever o que senti durante a leitura deste livro maravilhoso de Jos Saramago O Ano da Morte de Ricardo Reis absolutamente fant stico Fez me amar mais Lisboa, as pessoas e a vida O escritor conseguiu surpreender me ao longo da leitura e viver algumas semanas no ambiente caracter stico do s culo XIX A mentalidade do povo portugu s pouco mudou Ricardo Reis regressa do Brasil depois de estar dezasseis anos longe do seu pa s O estranhamento inicial e a procura de um lugar para chamar de lar Passear pelas ruas lisboetas pelo olhar do m dico foi agrad vel A paix o e o amor entre duas mulheres t o diferentes Personagens femininas fant sticas Quando estas mulheres roubam a cena ao protagonista s o, sem d vida, as minhas partes preferidas.Li o livro de forma lenta como a narrativa pede S o expostos v rios temas a partir das observa es dos personagens e acontecimentos Os di logos entre Ricardo Reis e o seu criador deixaram me fascinada com a forma brilhante como o escritor resolveu contar esta hist ria Imersa enquanto folheei as p ginas deste livro Mexeu com as minhas emo es e emocionou me.Havia tanto a dizer mas eu n o sou capaz Cinco estrelas blog www.amulherqueamalivros.blogs.sapo.pt Deep Inside LisbonHow is it possible to combine Kafka, Proust, and Borges to create something entirely unique and compelling Only Saramago knows for sure With him Portugal is the home of Everyman who copes with the quotidian as well as the bizarre with panache and fortitude As an incidental benefit, Ricardo Reis also provides a synopsis of Iberian literary history as well as an interesting travelogue of Lisbon Read this with Google Earth at hand as he takes you round Baixa and Rossio. There are certain writers, and Saramago is clearly one of them, whose voice is so well defined we can recognise it within a few words Even his less successful Novels are intensely pleasurable for me to read, simply because I love spending time in the presence of his voice as translated by the wonderful Giovanni Pontiero of course And here, in this text, we open the first page and read as followsHere the sea ends and the earth begins It is raining over the colourless city The waters of th There are certain writers, and Saramago is clearly one of them, whose voice is so well defined we can recognise it within a few words Even his less successful Novels are intensely pleasurable for me to read, simply because I love spending time in the presence of his voice as translated by the wonderful Giovanni Pontiero of course And here, in this text, we open the first page and read as followsHere the sea ends and the earth begins It is raining over the colourless city The waters of the river are polluted with mud, the riverbanks flooded A dark vessel, the Highland Brigade, ascends the sombre river and is about to anchor at the quay of Alc ntara The steamer is English and belongs to the Royal Mail Line She crosses the Atlantic between London and Buenos Aires like a weaving shuttle on the highways of the sea, backward and forward, always calling at the same ports, La Plata, Montevideo, Santos, Rio de Janeiro, Pernambuco, Las Palmas, in this order or vice versa, and unless she is shipwrecked, the steamer will also call at Vigo and Boulogne sur Mer before finally entering the Thames just as she is now entering the Tagus, and one does not ask which is the greater river, which the greater town There is so much to love in this paragraph alone all those illimitable e s in the first sentence, the melancholic suggestiveness of the rain, the dark vessel, the sombre river The foreshadowing of the Eternal Return in the repetitious journey of the steamer I don t know For me, such a paragraph is enough to inspire trust and guarantee a committed reading.There were a few of his novels that were fighting for a place in my Most Elite shelf Worshiped and Adored being the most accurate description of my feelings for these texts , this one won out partly, I think, because it is woven tight to Pessoa, another of my literary loves though I don t think knowledge of his work is a prerequisite for reading this novel.Regardless, I shall end with a quote from Reis himselfNumberless live in us I think or feel, ignorantOf who is thinking or feeling.I am only the place whereSomeone feels or thinks.I havethan one soul.There areI s than I.Even so I existIndifferent to them all.I silence them I speak.Crossed impulses of thatWhich I feel or do not feelDispute in who I am.I ignore them They dictate nothingTo whom I know I am I writeRicardo Reis Pessoa Ogni lettore legge le storie come unico reale sopravvissutoPiove su Lisbona sul finire dell Anno Domini 1935 Precisamente il 30 dicembre e nel porto di Alcanatara sta attraccando una nave che arriva dal Brasile A bordo c Ricardo R is un nome ideato da Fernando Pessoa a cui Saramago da corpo, forma e voce.Pessoa morto ma questo suo eteronimo sopravvive, anzi, torna proprio per la scomparsa del PoetaRicardo Reis, et quarantotto anni, nato a Porto, stato civile celibe, professionOgni lettore legge le storie come unico reale sopravvissutoPiove su Lisbona sul finire dell Anno Domini 1935 Precisamente il 30 dicembre e nel porto di Alcanatara sta attraccando una nave che arriva dal Brasile A bordo c Ricardo R is un nome ideato da Fernando Pessoa a cui Saramago da corpo, forma e voce.Pessoa morto ma questo suo eteronimo sopravvive, anzi, torna proprio per la scomparsa del PoetaRicardo Reis, et quarantotto anni, nato a Porto, stato civile celibe, professione medico, ultima residenza Rio de Janeiro, Brasile, da dove proviene, ha viaggiato sull Highland Brigade Saramago non solo ci porta nei vicoli inerpicanti di Lisbona, nelle sue piazze e nei suoi giardini dove i vecchi aspettano con ansia di sfogliare giornali che parlano della cronaca nera e distolgono lo sguardo dal nero mantello con cui la Germania sta avvolgendo il Portogallo, l Italia e la vicina Spagna ma crea labirinti R is legge The God of the labyrinth di Herbert Quain autore anch esso inesistente in quanto frutto della fantasia di Borges.Labirinti nel labirinto, intrecci casuali o meno di cui fatta la vita.Pessoa si frazionava nei suoi eteronimi Un aggrapparsi ad una sopravvivenza moltiplicata che non riusciva a soddisfarsi di una sola voce ma in un ventaglio di possibili versioni Vero e menzogna Realt storica e immaginazione poetica Questi i binari di un romanzo in cui a Pessoa morto sono stati concessi ancora otto mesi per completare il suo distacco terreno incontrer quel R is che qui vive la fisicit il cibi, il esso, la malattia fisica che il suo creatore ha perso come fosse l ultima esalazione di un respiro che si fa idea e a cui non rimarr che sopravvivere nelle parole che ha lasciato Saramago qui nel suo tipico stile di romanzo chiacchierato con quel suo periodare a fiume proprio come la chiacchera di chi ha tanto da dire e si aggrappa le parole spesso perdendo il filo iniziale per l ansia che ci sia solo il silenzio della solitudinele frasi, una volta dette, sono come porte, rimangono aperte, quasi sempre entriamo, ma a volte ce ne restiamo fuori, in attesa che un altra porta si apra Tipico quell amaro sarcasmo che guarda alla Storia dei popoli e fa parlare il monarchico Re s di ci che accade dall ariana Germania alla terra lusitana.La dittatura di Salazar e la sua ideale alleanza con il nazismo e il fascismo, la guerra civile spagnola e il falangismo, l Anschluss e la guerra di Etiopia I colloqui con Pessoa, invece, si collocano su dimensioni pi interiori.Giochi di parole, giochi di specchi.Un libro che rilegger quando avr pi bagaglio perch i rimandi a Pessoa sono tanti e vanno letti.Tante, tante sottolineature Una fra le altreRicardo Reis abbassa il giornale, si guarda nello specchio, superficie due volte ingannevole perch riproduce uno spazio profondo e lo nega mostrandolo come mera proiezione, dove nulla accade davvero, solo il fantasma esteriore e muto delle persone e delle cose, albero che s inclina sul lago, volto che in esso si cerca senza che le immagini di albero e di volto lo turbino,o lo alterino, o almeno lo tocchino Lo specchio, questo come tutti, perch sempre restituiscono un apparenza, protetto contro l uomo, davanti a lui non siamo altro che quel che in quel momento siamo, o siamo stati, come uno che prima di partire per la guerra del millenovecentoquattordici si fosse rimiratonell uniforme che indossava, avesse guardato qualcosa pi che se stesso, senza sapere che in questo specchio non si guarder pi , la vanit anche questo, ci che non dura Cos lo specchio, sopporta, ma, se pu rifiuta Ricardo Reis ha distolto lo sguardo, cambia posto, gli d , rifiutando, o rifiutato, le spalle E magari lo rifiuta perch specchio anche lui Num regresso que recupera a nostalgia do pico de Cam es, Ricardo Reis somente um fragmento que chega de um sonho, de uma terra distante onde tudo considerado irreal e fant stico Regressa por esse rio Tejo, nobre conquistador de terras long nquas Porque volta e para onde vai, a quest o fulcral neste O Ano de Morte de Ricardo Reis de Jos Saramago.Para que faz Saramago regressar afinal Ricardo Reis Para o confrontar com o pa s que deixou dezasseis anos antes Talvez Para morrer Sem d v Num regresso que recupera a nostalgia do pico de Cam es, Ricardo Reis somente um fragmento que chega de um sonho, de uma terra distante onde tudo considerado irreal e fant stico Regressa por esse rio Tejo, nobre conquistador de terras long nquas Porque volta e para onde vai, a quest o fulcral neste O Ano de Morte de Ricardo Reis de Jos Saramago.Para que faz Saramago regressar afinal Ricardo Reis Para o confrontar com o pa s que deixou dezasseis anos antes Talvez Para morrer Sem d vida Mas vem sobretudo para confrontar a sua poesia e o seu epicurismo com a realidade da sua terra e do resto do mundo Vem agarrar se realidade, em busca de descobertas imposs veis, mas deixa sempre aberta a possibilidade da fuga para o reconfortante fant stico de onde veio Reis vem para existir nas ruas de Lisboa no ano de 1936, nesse estranho tempo novo, desconhecido, de dif cil compreens o Um estrangeiro, como t o bem Reis saberia ser Uma coisa parece certa, pelo t tulo do livro Ricardo Reis vai morrer Mas alguma coisa de Reis ter de sair ilesa dessa morte E isso somente a compreens o A compreens o de uma personagem negativa, desistente que regressa a um pa s pautado por chuva e subjugado pelo fascismo.Neste mundo labir ntico, estranho, reinventado que tem de ser percorrido, Jos Saramago reinventa Ricardo Reis num labirinto do ser que ele tem de percorrer para encontrar a sua identidade um labirinto pelas ruas da solid o Da solid o do que n o existe Uma solid o partilhada, singular, plural Uma solid o que de ontem e de hoje Uma solid o labir ntica de vozes, ecos e rus Ricardo Reis um ser s em Lisboa de 1936 Ter sido assim toda a sua vida Reis o poeta cl ssico, esse Virg lio que se faz acompanhar por um certo Dante descida aos infernosSumir me ei entre a n voa, como um estrangeiro a tudoFernando Pessoa que nos escreve isto n O Livro do Desassossego Poderia ter sido muito bem Ricardo Reis a faz lo, pois entre a n voa, de livro debaixo do bra o que ele se some do tumulto do mundo Fernando Pessoa 1888 1935 Jos Saramago 1922 2010 , Pr mio da Literatura 1998, publicou o romance O Ano da Morte de Ricardo Reis em 1984.Tal como o t tulo indica, Jos Saramago, constr i a narrativa recorrendo a Ricardo Reis, a personagem principal do romance com uma identidade imagin ria, um dos heter nimos do poeta e escritor Fernando Pessoa, ele pr prio , uma personagem secund ria.Ricardo Reis, com quarenta e oito anos de idade, natural do Porto, solteiro, m dico e poeta, com ltima Fernando Pessoa 1888 1935 Jos Saramago 1922 2010 , Pr mio da Literatura 1998, publicou o romance O Ano da Morte de Ricardo Reis em 1984.Tal como o t tulo indica, Jos Saramago, constr i a narrativa recorrendo a Ricardo Reis, a personagem principal do romance com uma identidade imagin ria, um dos heter nimos do poeta e escritor Fernando Pessoa, ele pr prio , uma personagem secund ria.Ricardo Reis, com quarenta e oito anos de idade, natural do Porto, solteiro, m dico e poeta, com ltima resid ncia no Rio de Janeiro, regressa a Portugal em Dezembro de 1935, ap s dezasseis anos de auto ex lio no Brasil, alojando se primeiro no Hotel Bragan a, na proximidade do Cais do Sodr , e mais tarde aluga um apartamento na zona do Miradouro de Santa Catarina em Lisboa Lisboa e Portugal vivem um dos per odos mais sombrios da sua hist ria a ditadura de Salazar, conjugada no discurso e na propaganda ideol gica fascista, a repress o e a interven o da pol cia pol tica do Estado Novo, a PIDE in meros acontecimentos pol ticos e militares, num contexto geogr fico europeu, igualmente, em transforma o, como a Guerra Civil em Espanha, a ascens o ao poder de Mussolini em It lia e a expans o da ideologia nazi na Alemanha de Adolf Hitler, s o alguns dos exemplos que Jos Saramago destaca n O Ano da Morte de Ricardo Reis.Jos Saramago associa de uma forma magistral a rela o entre a vida e a morte, entre o heter nimo Ricardo Reis e o seu criador Fernando Pessoa, numa efectiva autonomia biol gica, vivendo e sobrevivendo morte do poeta, mantendo uma proximidade f sica, que se revela e que se acentua pela conviv ncia e pelos di logos reais e ou imagin rios entre as duas personagens, sobre factos e acontecimentos reais que ocorreram nos anos 30 Em determinadas partes d O Ano da Morte de Ricardo Reis achei a componente hist rica excessiva e considero que a viagem ou a peregrina o a F tima est um pouco descontextualizada do comportamento de Ricardo Reis O Ano da Morte de Ricardo Reisum excelente romance, onde se revela a genialidade da escrita de Jos Saramago, uma prosa nica e original, em que os desafios lingu sticos e sem nticos s o permanentes, nomeadamente, na constru o do texto e na supress o de algumas regras gramaticais e de pontua o, que conferem aos seus livros uma fascinante viagem pela hist ria e pela literatura Jos Saramago 1922 2010 Aqui o mar acaba e a terra principia P g 11 Um homem deve ler de tudo, um pouco ou o que puder, n o se lhe exija mais do que tanto, vista a curteza das vidas e a prolixidade do mundo P g 137 Aqui, onde o mar se acabou e a terra espera P g 407 a solid o n o sermos capazes de fazer companhia a algu m ou a alguma coisa que est dentro de n s P g 220 Every time I read a book by Saramago I feel sad because he is no longer among us, to delight us with his writing, and that feels terrible I felt this oncewhile reading this book, and I think I will feel it when I read the books I haven t read yet.Having said this, I had a wonderful time reading this book Basically it tells what happens when Ricardo Reis, one of Fernando Pessoa s heteronyms, returns to Lisbon after sixteen years living in Brazil There is a revolution in that country, Rei Every time I read a book by Saramago I feel sad because he is no longer among us, to delight us with his writing, and that feels terrible I felt this oncewhile reading this book, and I think I will feel it when I read the books I haven t read yet.Having said this, I had a wonderful time reading this book Basically it tells what happens when Ricardo Reis, one of Fernando Pessoa s heteronyms, returns to Lisbon after sixteen years living in Brazil There is a revolution in that country, Reis learns that Pessoa has died, and he makes up his mind to return to Portugal And finds that many things have change, only in his country but also in Europe In the first months, Reis lives in a hotel and starts an affairs with a chambermaid called L dia There, he also meets Marcenda, a young lady from Coimbra, who suffers a mysterious condition that has paralyzed her left arm Reis is a medical doctor but in is first times in Lisbon he does not practice Instead, he walks around the city, reads the papers, and he s visited by Fernando Pessoa, who, despite being dead, is capable of visiting Reis he offers a very interesting theory on this.After leaving the hotel, Reis finds a house to live and he even finds a job as a substitute doctor But most of his time is spent walking around and learning the news, both national and international, throught the reading of the newspapers And thus, we now how the life went in the Portugal of the mid thirties, and in the world.Another great book


About the Author: José Saramago

Is a well-known author, some of his books are a fascination for readers like in the O Ano da Morte de Ricardo Reis book, this is one of the most wanted José Saramago author readers around the world.


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